Quanto cobrar por carrossel: um método para calcular o seu preço sem chutar
Como chegar ao preço de um carrossel de Instagram a partir do seu custo por hora, do tempo medido por etapa, do escopo e das rodadas de alteração.

O preço de um carrossel sai de três números que só você tem: quanto a sua hora precisa valer, quantas horas um carrossel daquele cliente consome de verdade e quantas rodadas de alteração estão incluídas. Tabela de mercado ajuda a saber se você está muito fora da curva, mas não diz se o valor paga as suas contas. Quem copia o preço de outra pessoa copia também o custo e a velocidade dela, que não são os seus.
Este guia mostra o caminho completo: calcular o custo por hora, medir o tempo por etapa, definir o escopo por escrito, decidir entre avulso e pacote e reajustar sem perder o cliente. Os valores que aparecem nas contas são exemplos para mostrar a mecânica. Troque pelos seus.
Por que tabela pronta não resolve
Pesquisas de preço e grupos de social media trazem faixas enormes, e por um motivo simples: "um carrossel" pode ser cinco slides com texto sobre fundo chapado ou doze slides com foto tratada, ilustração e copy escrita por você. São produtos diferentes com o mesmo nome.
Além disso, a mesma peça custa tempos diferentes para pessoas diferentes. Quem já tem o kit da marca montado, templates prontos e um processo de aprovação que funciona entrega em uma fração do tempo de quem refaz tudo a cada post. Por isso o ponto de partida é o seu custo, e a referência de mercado entra só no fim, como checagem.
Passo 1: descubra quanto a sua hora precisa valer
A conta básica tem quatro partes.
- Quanto você precisa tirar por mês. Inclua o que vai para você (pró-labore) e os custos do trabalho: ferramentas, internet, equipamento dividido pela vida útil, contador, imposto.
- Quantas horas faturáveis você tem. Não são as horas que você trabalha. Prospecção, reunião, financeiro, estudo e resposta de mensagem consomem tempo e ninguém paga diretamente por elas. Seja honesto aqui.
- Uma margem. Para mês fraco, cliente que atrasa pagamento, férias e doença.
- A divisão. (necessidade mensal + margem) ÷ horas faturáveis = valor mínimo da hora.
Exemplo: suponha que alguém precise de R$ 6.000 por mês somando pró-labore e custos, queira uma margem de 20% e tenha 100 horas faturáveis por mês. A conta fica (6.000 + 1.200) ÷ 100 = R$ 72 por hora. Esse é o piso. Abaixo dele, cada hora trabalhada custa dinheiro.
Os números do exemplo não são recomendação de valor. Eles só mostram onde cada informação entra.
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Passo 2: meça o tempo real por etapa
A maior fonte de prejuízo é estimar o tempo de cabeça. A sensação costuma ignorar justamente as partes que não são design: ler o briefing, procurar imagem, exportar, subir arquivo, responder o cliente.
Durante duas ou três semanas, cronometre cada carrossel separando as etapas:
| Etapa | O que entra |
|---|---|
| Pauta e roteiro | definir o tema, escrever ou adaptar a copy slide a slide |
| Design | montar os slides no kit da marca |
| Imagem | buscar, tratar, recortar foto ou ilustração |
| Revisão interna | conferir texto, cor, margem, ortografia |
| Aprovação | enviar, ler comentários, responder |
| Alterações | cada rodada separada |
| Entrega | exportar, organizar, subir ou agendar |
Use um cronômetro simples ou uma planilha com hora de início e fim. Depois tire a média por tipo de carrossel. Você vai descobrir duas coisas: quais etapas comem mais tempo do que você imaginava e quais clientes são mais caros de atender do que parecem.
Exemplo: se a média medida para um carrossel de 7 slides de um cliente for 2h30 somando tudo, e a sua hora mínima for R$ 72, o custo daquele carrossel é R$ 180. O preço vem por cima disso.
Passo 3: escreva o escopo antes de dar o preço
Preço sem escopo vira discussão no segundo mês. Antes de mandar o valor, deixe por escrito:
- Quantidade de slides incluída (ou uma faixa, por exemplo "de 5 a 8").
- Quem escreve a copy. Copy sua custa mais tempo e mais responsabilidade.
- Origem das imagens. Banco gratuito, banco pago (quem paga a licença?), fotos do cliente, ilustração própria.
- Formatos de entrega. Só 4:5 para o feed? Versão 9:16 para stories também? Cada adaptação é trabalho. Se tiver dúvida nas medidas, veja o guia de tamanho do carrossel.
- Rodadas de alteração incluídas e o que acontece depois delas.
- Prazos de envio do material pelo cliente e de aprovação.
- O que não está incluído: publicação, legenda, resposta a comentários, tráfego pago.
O roteiro de briefing ajuda a levantar essas respostas antes da proposta.
Passo 4: precifique as rodadas de alteração
Rodada de alteração é tempo, e tempo sem limite quebra qualquer cálculo. Duas formas comuns de lidar com isso:
- Incluir um número fixo de rodadas no preço (por exemplo, uma ou duas) e cobrar as seguintes à parte.
- Separar ajuste de refação. Trocar uma palavra é ajuste. Mudar o tema depois de aprovado é um carrossel novo.
Explicamos como escrever isso no contrato no artigo sobre rodadas de alteração. O ponto aqui é que o tempo médio de alteração, medido no Passo 2, precisa estar dentro do preço das rodadas incluídas.
Passo 5: monte o preço
Com custo e escopo em mãos, o preço por carrossel fica assim:
preço = (horas médias medidas × valor da hora) + custos diretos + margem de risco do cliente
- Custos diretos: imagem paga, fonte licenciada só para aquele cliente.
- Margem de risco do cliente: clientes que demoram a aprovar, mudam de ideia ou têm muitas pessoas aprovando consomem mais. Se você já sabe disso pelo briefing, inclua.
Exemplo completo: 2h30 × R$ 72 = R$ 180. Sem custo direto. Cliente com dois aprovadores, acréscimo de 15%: R$ 207. Arredondando, R$ 210 por carrossel. Mais uma vez, os valores são ilustrativos.
Só agora compare com o que você vê no mercado. Se o seu número estiver muito acima, procure onde está o tempo perdido (geralmente aprovação e alteração). Se estiver muito abaixo do que colegas cobram por um trabalho parecido, talvez você esteja subestimando a sua hora.
Avulso ou pacote mensal
As duas formas funcionam, e servem a situações diferentes.
| Avulso | Pacote mensal | |
|---|---|---|
| Bom para | cliente novo, demanda pontual, teste | relação contínua |
| Previsibilidade | baixa para você | alta para os dois lados |
| Preço por peça | costuma ser maior | pode ser menor, porque você ganha escala |
| Risco | cliente some depois de um | cliente acumula pedidos fora do escopo |
No pacote, o ganho de escala é real só quando o processo se repete: mesmo kit, mesmos templates, pauta definida com antecedência, aprovação em lote. Se cada carrossel do pacote é um projeto do zero, o desconto sai do seu bolso.
Para calcular o pacote, multiplique o preço por carrossel pela quantidade, some o tempo fixo do mês (reunião de pauta, relatório, planejamento) e só então aplique um desconto, se fizer sentido. Deixe claro que carrosséis não usados no mês não acumulam, ou defina uma regra de acúmulo.
Onde o tempo some (e como recuperar)
Quando a medição mostra que o carrossel está caro, normalmente o problema está fora do design:
- Kit da marca espalhado. Procurar o código da cor ou a fonte certa toda vez. Um kit de marca centralizado resolve.
- Aprovação no WhatsApp. Comentário solto, "ajusta aquele ali", áudio de três minutos. Veja como organizar a aprovação de posts.
- Arquivos sem padrão. Versões com nome "final-final2". Uma convenção de nomes, explicada no guia sobre várias marcas, poupa tempo toda semana.
- Roteiro escrito direto no design. Escrever o texto slide a slide antes de abrir o editor evita refazer layout por causa de copy.
Cada hora recuperada aqui aumenta a sua margem sem mexer no preço. Ferramentas feitas para esse fluxo ajudam: no Content Hub Pro Max, por exemplo, cada marca tem o seu kit com revisão automática e a cliente aprova slide a slide por um link, sem criar conta. Mas o método funciona com qualquer ferramenta. O que importa é medir.
Como reajustar
Reajuste fica mais fácil quando está previsto desde o início.
- Coloque no contrato uma data de revisão de preço (por exemplo, a cada 12 meses) e o critério (índice de inflação ou revisão de escopo).
- Avise com antecedência. Um ou dois meses antes, por escrito.
- Mostre o que mudou. Se o escopo cresceu (mais slides, mais formatos, mais aprovadores), a sua medição de tempo é o argumento.
- Ofereça alternativa. Se o cliente não pode pagar mais, reduza o escopo para caber no valor atual.
Clientes novos já entram com o preço novo. Isso evita a situação de atender o cliente mais antigo pelo menor valor da carteira.
Perguntas frequentes
Devo cobrar por slide ou por carrossel?
Por carrossel com uma faixa de slides definida costuma ser mais simples de vender e de controlar. Cobrar por slide faz sentido quando a quantidade varia muito de um post para outro.
Cobro a mais pela versão em 9:16?
Se a adaptação dá trabalho (reposicionar texto, recortar imagem), sim. Meça o tempo dela como uma etapa separada e inclua no escopo ou cobre como adicional.
E se o cliente disser que outra pessoa cobra menos?
Compare escopo, não só preço: quantas rodadas, quem escreve a copy, prazo, formatos. Se o escopo for igual e você não puder reduzir o tempo, talvez esse cliente não feche a conta para você.
Com que frequência refaço a medição de tempo?
Sempre que o processo muda (ferramenta nova, cliente novo com outro perfil) e, no mínimo, antes de cada revisão de preço.


